ME Dê licença Patrão
Iaro Ademir Bruno
Buenas tarde patrão, dê licença
Pra cruzar a porteira deste rancho.
To chegando feito um carancho
Estropeado pela lida.
As intempéries da vida
Vem me trazendo assoleado,
Venho de longe cansado.
No bolso nenhum vintém.
O senhor não sabe o meu nome,
Mas tenho sede, tenho fome
E tenho sono também.
Pra amainar este meu sono,
Não preciso muito aconchego.
Basta um catre e um pelêgo,
Um lombilho por travesseiro,
Um poncho que me cubra por inteiro,
Enquanto rumino minha mágoa.
Minha sede não é falta d’água,
Tenho sede é de tradição.
Minha fome não é falta de comida,
Tenho fome é de guarida,
Pra este velho coração.
Por isso escolhe este rancho,
Pra bater com meus costados.
Pois sei que um cuera desgarrado,
Aqui é bem recebido.
Lhe agradeço se acolhido
Neste recanto do pampa.
Não se impressione com minha estampa,
Nem com minha rude aparência,
Pois tudo aquilo que busco,
Pra mim, pro meu pingo e pro meu cusco
É apenas “Um Pedaço de Querência”.
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